Ao nomear sua avó Liline como a primeira embaixadora da casa, Simon Porte Jacquemus assina uma declaração de amor às suas origens, à família e a uma elegância atemporal.
Antes dos desfiles espetaculares, antes dos campos de lavanda, do sal das minas e do ouro de Versalhes, ela estava lá. Liline Jacquemus. Antes da marca, antes do nome, antes mesmo da ideia da moda como linguagem, havia uma mulher, uma presença, uma luz fundadora.
Nascida em 1946 e criada em Alleins, uma pequena vila no sul da França, Liline cresceu entre os campos, o sol e uma simplicidade sem maquiagem. Filha de uma mãe italiana solteira, forte e reta, ela aprende muito cedo a dignidade, a resiliência e aquela elegância discreta que não pode ser ensinada. Uma elegância de gestos, olhares, silêncios — aquela que nunca sai de moda.
Para Simon Porte Jacquemus, ela é muito mais do que uma avó. Ela é a primeira musa, a inspiração inicial, aquela que moldou seu olhar sobre as mulheres e alimentou a imaginação da casa. “Antes de Jacquemus, ela já era minha inspiração”, diz ele, como uma evidência.
Nomeá-la hoje como a primeira embaixadora da casa é tanto um manifesto quanto um jogo terno. As regras que acompanham esta nomeação – sorrir sempre, usar apenas Jacquemus, nunca pronunciar o nome de outra casa, considerar a “marca” como uma “família” – oscilam entre ironia e declaração absoluta. Por trás do humor, uma profunda convicção: Jacquemus não é uma tendência, é um apego. Uma fidelidade.
Figura familiar da primeira fila dos desfiles, Liline já havia feito sua estreia como modelo para a casa em 2020, no meio da pandemia. Mais recentemente, ela apareceu em um vídeo onde seu neto lhe oferece uma bolsa com o nome de Valerie, sua filha desaparecida e a mãe do criador. Um momento suspenso, carregado de memória e emoção, onde a moda se torna um elo entre as gerações.
Com esta nomeação, Simon Porte Jacquemus presta homenagem às mulheres que o criaram e ao legado que lhe transmitiram. Liline não incorpora apenas uma imagem: ela representa a alma da casa, um lembrete de que Jacquemus é acima de tudo uma história de origens, transmissão e amor. Uma casa onde a família está em primeiro lugar — é claro.



