Vagalumes: uma campanha que revela o frágil incandescência de Valentino

Para a primavera-verão de 2026, Alessandro Michele assina na Valentino uma campanha e uma coleção onde a queda se torna revelação, e a fragilidade, luz.

Todo mundo conhece a queda. Não como um acidente, mas como uma condição original. Cair não é desviar: é reconhecer que o equilíbrio é apenas um adiamento, um intervalo frágil suspenso no futuro das coisas.

É neste ponto específico – onde a verticalidade vacila – que a campanha Fireflies da Valentino para a primavera-verão de 2026 começa. Não no medo de ceder, mas na consciência aguda que só nos sustentamos por uma constelação de apoios: gestos, olhares, tecidos, memórias. Leva apenas um momento para que o mundo pare de nos manter em formas conhecidas – um abandono, uma perda, uma força muito grande. Então comece outra coisa.

Alessandro Michele desdobra em Valentino uma nova página de sua prosa barroca, ao mesmo tempo manifesta e sussurrada. Fireflies – vaga-lumes – evoca essas luzes intermitentes que perfuram a escuridão sem nunca dissipá-la completamente. A coleção incorpora esse brilho frágil: uma incandescência que não nega a noite, mas a atravessa.

Veludo profundo como confidências sussurradas, transparências quase confessionais, lantejoulas usadas em encantamento, silhuetas com detalhes dos anos setenta que oscilam entre abandono e brio – cada peça parece carregada de um sopro antigo. Os colares de penas tremem como talismãs, as blusas drapeadas são oferecidas em gestos suspensos, os vestidos dourados captam a luz como se a redistribuíssem melhor. O romantismo, aqui, não se desculpa: é adornado com insolência, intenção, uma doçura nostálgica que recusa a padronização.

Com Alessandro Michele, a moda invoca. Ela resiste. Ela se lembra. Ela afirma que a beleza não precisa ser domesticada para ser compreendida. Pelo contrário, exige ser abordado com um olhar desarmado, pronto para acolher a exuberância como uma linguagem e o gesto como um ato político.

Nesta campanha, cair não é mais um fracasso. É uma metáfora. Uma maneira de admitir que a graça muitas vezes nasce do desequilíbrio, que a luz dos vaga-lumes só aparece ao anoitecer. Fireflies celebra essa tensão: entre manutenção e abandono, entre memória e ímpeto, entre fragilidade e brilho. E nessa oscilação assumida, Valentino recupera uma intensidade rara – a de uma casa que escolhe brilhar não apesar da sombra, mas com ela.

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