Estreando na direção criativa da maison romana, Maria Grazia Chiuri apresenta o inverno 2026 2027 como um chamado coletivo, onde coerência, feminismo e sofisticação silenciosa substituem o espetáculo do ego.


No dia 25 de fevereiro, a Fendi apresentou seu desfile de outono inverno 2026 2027 marcando o início de um novo capítulo criativo sob o comando de Maria Grazia Chiuri. Fiel ao seu histórico de discursos contundentes, a estilista transformou a passarela em plataforma de manifesto ao estampar a frase Less I, more Us em inglês e italiano, reafirmando a primazia do coletivo sobre o individual. A mensagem ecoa tanto o legado das cinco irmãs fundadoras da casa romana quanto a trajetória da designer, que ganhou projeção internacional à frente da Dior ao incorporar o feminismo como eixo criativo. A primeira imagem divulgada nas redes da marca foi assinada pela artista contemporânea Jo Ann Callis, reforçando o compromisso com o olhar feminino e com a construção de uma narrativa que transcende a roupa.


Na passarela, o preto surge como fio condutor de uma coleção que privilegia unidade e permanência. A silhueta é marcada por um classicismo moderno, onde alfaiataria precisa, transparências delicadas, rendas sutis e vestidos fluidos convivem com uma sensualidade controlada e confortável. Elementos já associados à assinatura de Chiuri reaparecem reinterpretados no vocabulário da maison, criando uma ponte entre tradição e atualidade. O denim integral, as peles trabalhadas com rigor artesanal e as construções em couro reafirmam o domínio técnico da casa, compondo um guarda roupa que parece imune à obsolescência e resistente às micro tendências que dominam o ciclo acelerado da moda contemporânea.


A harmonia do conjunto é pontuada por intervenções de personalidade, como escarpins e bolsas com texturas zebradas e referências esportivas trazidas em colaboração com a arqueira SAGG Napoli, adicionando tensão estética ao minimalismo dominante. Entre os destaques, colares retos e móveis capturam o olhar com movimento hipnótico, quase como pêndulos que marcam o tempo de uma nova era. Mais do que uma coleção, o desfile sinaliza uma reorganização de valores na Fendi, onde o luxo se ancora na coerência, na permanência e na força do coletivo.




