Louis Vuitton transforma o tempo em design na Milan Design Week 2026


No histórico Palazzo Serbelloni, a Maison constrói uma experiência imersiva onde o legado do Art Déco encontra a criação contemporânea em um diálogo sensorial e sofisticado


Durante a efervescência da Milan Design Week 2026, a Louis Vuitton reafirma sua autoridade estética ao ocupar um dos espaços mais emblemáticos de Milão com uma proposta que transcende exposição e se consolida como narrativa. No interior do Palazzo Serbelloni, a Maison conduz o visitante por uma travessia onde passado, presente e futuro coexistem em perfeita harmonia.

A cenografia revela, logo na entrada, uma reverência ao universo do Art Déco por meio da obra de Pierre Legrain. Figura central na história criativa da marca, Legrain simboliza o momento em que a maison, sob a visão de Gaston-Louis Vuitton, transforma o objeto utilitário em expressão artística. Arquivos raros, baús históricos e peças delicadas constroem um panorama onde funcionalidade e poesia caminham juntas. Entre eles, destaca-se a reinterpretação da icônica Malle Bureau, criada em 1929 para Leopold Stokowski, agora ressignificada com sofisticação contemporânea.

A exposição se desdobra em ambientes que exploram cores e texturas como linguagem. Na sala Gabrio, tons profundos e materiais densos criam um cenário que dissolve fronteiras entre living, biblioteca e sala de jantar, enquanto na sala Napoleonica, a coleção Hommage à Pierre Legrain se impõe com rigor gráfico e presença escultórica. Já na sala Beauharnais, a influência de Charlotte Perriand ecoa em linhas puras e geometrias inspiradas nos Alpes, reafirmando a continuidade entre tradição e modernidade.

O percurso ganha intensidade na sala Parini, onde o vermelho domina e estrutura o espaço com ritmo quase abstrato, conduzindo o olhar e ampliando a percepção sensorial. No Boudoir, o coletivo Estudio Campana rompe expectativas com peças que transitam entre design e arte, enquanto no Grand Foyer, o estúdio Raw Edges propõe uma experiência imersiva com o fauteuil Stella, onde forma e percepção se confundem em uma ilusão óptica sofisticada.

No pátio central, a colaboração com a Accademia di Brera estabelece um elo entre gerações criativas. A instalação monumental, inspirada nas encadernações de Legrain, transforma o espaço aberto em uma composição gráfica viva, reafirmando o papel do design como linguagem em constante reinvenção.

A experiência se estende ainda à boutique da via Montenapoleone, onde o savoir-faire histórico da Maison ganha novos contornos. Peças como a Malle Courrier Lozine, reinterpretada com vitrais, dialogam com criações icônicas como a Malle Paravent e a Malle Lit, consolidando o legado da Louis Vuitton como referência em um estilo de vida nômade e contemporâneo.

Mais do que uma exposição, a presença da Louis Vuitton em Milão revela uma afirmação clara: o design, quando guiado por memória e inovação, torna-se narrativa. Uma história em constante transformação, onde cada peça carrega não apenas forma, mas tempo, cultura e visão de futuro.

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