Entre o sucesso nas telas e a coleção de joias criada em parceria com a designer Leia Sgro, a atriz transforma autenticidade em sua assinatura mais preciosa. Existem artistas que atravessam diferentes linguagens. E existem aquelas que transformam cada novo capítulo em uma extensão natural da própria identidade. Cris Vianna pertence a essa segunda categoria. Vivendo um dos momentos mais plurais de sua trajetória, a atriz divide seu tempo entre a intensidade dramática da série Arcanjo Renegado, sucesso no Globoplay, o retorno aos cinemas com a comédia Veraneio, filmada em Salvador ao lado de Zezé Polessa, Marcelo Serrado e Alessandra Negrini, e o universo da alta joalheria, onde assina Raiz Dourada, coleção criada em colaboração com a designer Leia Sgro. Produzidas em metais nobres e adornadas por pedras preciosas, as peças traduzem uma visão de luxo que ultrapassa a estética e encontra significado na memória, na ancestralidade e na força feminina. Mais do que reunir projetos de diferentes naturezas, Cris constrói uma narrativa coerente, na qual arte, moda e empreendedorismo dialogam de forma orgânica. Sua carreira se expande com a mesma elegância com que preserva a própria essência, transitando entre universos distintos sem jamais abrir mão da autenticidade que se tornou sua maior assinatura. Em uma época marcada pelo excesso de exposição e pela urgência de se encaixar em definições rápidas, ela escolhe outro caminho: o da profundidade, da discrição e da liberdade de ser múltipla.
Fotógrafo: Lucas Mennezes, beleza: Wilson Eliodorio, styling: Naná Reis
Nesta entrevista exclusiva à TREND, Cris fala sobre a convivência entre o drama e a comédia, a construção de uma carreira pautada pela coerência, o verdadeiro significado do luxo e o legado que deseja deixar para uma nova geração de mulheres. Mais do que responder perguntas, ela compartilha uma visão de mundo na qual beleza, identidade e liberdade caminham lado a lado.
“Nós não somos feitas de uma única camada”
Em Arcanjo Renegado, você interpreta uma mulher inserida em um universo de conflitos e tensões morais, enquanto em Veraneio mergulha na leveza da comédia. O que essa coexistência entre força dramática e humor revela sobre a mulher e a artista que você se tornou neste momento da sua vida?
“Acredito que essa coexistência revela justamente a complexidade de ser mulher e artista. Nós não somos feitas de uma única camada, de um único tom. Em um mesmo momento da vida, posso estar mergulhada em um universo denso, como em Arcanjo Renegado, e, ao mesmo tempo, me permitir a leveza, o humor e a descontração de uma comédia como Veraneio.Gosto bastante de transitar entre esses extremos, entendendo que cada linguagem me alimenta de uma forma diferente. O drama me conecta com profundidade e reflexão, enquanto a comédia me devolve leveza e espontaneidade.”
Leia Sgro e Cris Vianna
A autenticidade como linguagem
Sua trajetória sempre foi marcada pela capacidade de ocupar espaços com elegância e autenticidade, sem se prender a estereótipos. Em uma indústria que ainda tende a rotular mulheres, como você preserva a sua identidade enquanto continua se reinventando diante das câmeras e do público?
“Preservar a identidade, para mim, passa muito por coerência interna. Ao longo da minha trajetória, aprendi a importância de me escutar, de entender quais histórias fazem sentido para mim e de que forma quero me posicionar dentro daquilo que escolho fazer. Eu me permito experimentar, viver novas linguagens e personagens, mas sempre partindo de um lugar muito verdadeiro. Acho que o mais importante é entender que a autenticidade é o que sustenta uma carreira a longo prazo. É isso que procuro manter em cada escolha que faço, dentro e fora das câmeras.”
O luxo que carrega memória
Sua colaboração com a designer Leia Sgro transcende o conceito de uma coleção de joias e parece funcionar como uma extensão da sua própria narrativa estética. O que o luxo significa para você hoje: uma expressão de poder, de memória, de ancestralidade ou de liberdade?
“Hoje, o luxo para mim está muito mais ligado ao significado. Ele passa por todas essas dimensões, mas principalmente pela liberdade de ser quem se é, com consciência e verdade. A coleção Raiz Dourada, minha collab com a Leia Sgro, é exatamente isso: peças que carregam memória, ancestralidade e também uma forma de expressão de poder feminino. O luxo, para mim, hoje, é poder viver e escolher. É ter história por trás do que se usa, do que se cria e do que se representa.As peças que criamos, beija mão, pulseira, pingente, colar, brinco e anel, são trabalhadas em metais nobres, como prata e ouro, além de adornadas com pedras como ametista, citrino, esmeralda, brilhante, jade, cristal fumê, quartzo bombardeado, ágata verde e topázio, traduzindo essa ideia de um luxo carregado de significado, força e legado.”
Fotógrafo: Lucas Mennezes, beleza: Wilson Eliodorio, styling: Naná Reis
O fascínio daquilo que permanece reservado
Há uma sofisticação muito particular na sua imagem pública: uma combinação entre presença, discrição e força. Em uma era marcada pela exposição constante e pela velocidade das redes sociais, como você constrói e protege o mistério e a profundidade que tornam uma mulher verdadeiramente fascinante?
“Isso vem muito de uma escolha consciente de não estar em todos os lugares o tempo todo e de preservar uma certa intimidade. As redes sociais são importantes, fazem parte do nosso tempo, mas não precisam ocupar todos os espaços da nossa vida. Tento manter uma relação equilibrada com essa exposição, entendendo o que faz sentido compartilhar e o que deve permanecer no campo do privado. Quando você está conectada com quem você é, isso naturalmente cria uma aura mais interessante e mais verdadeira.”
Um legado chamado liberdade
Observando sua carreira de forma panorâmica, é impossível não perceber um movimento contínuo de expansão, seja no audiovisual, na moda ou no empreendedorismo criativo. Quando você imagina o próximo capítulo da sua trajetória, qual legado deseja deixar para as mulheres que enxergam em você a representação de uma beleza que é, acima de tudo, plural, inteligente e livre?
“O legado que eu gostaria de deixar está ligado à liberdade. Quero que a minha trajetória possa inspirar mulheres a entenderem que beleza não é um padrão único, mas uma construção plural, que envolve história, identidade, inteligência e escolha. Desejo sempre contribuir para a ampliação de representações mais reais e diversas de mulheres. Que as pessoas possam olhar para essa trajetória e perceber que é possível ser muitas coisas ao mesmo tempo, sem precisar se encaixar em moldes pré estabelecidos. Mais do que uma imagem, espero deixar um caminho de possibilidades, para que cada mulher possa se reconhecer como inteira, livre e protagonista da própria narrativa.”
Fotógrafo: Lucas Mennezes, beleza: Wilson Eliodorio, styling: Naná Reis
Ao final da conversa, fica evidente que a trajetória de Cris Vianna nunca foi construída apenas sobre personagens, campanhas ou coleções. O que permanece é algo mais raro: a capacidade de transformar autenticidade em assinatura e liberdade em legado. Em um mundo que frequentemente exige definições rápidas, ela escolhe permanecer múltipla e, justamente por isso, torna sua presença ainda mais sofisticada, contemporânea e atemporal.