Da televisão ao wellness, o ator transforma uma experiência pessoal de reconstrução em uma nova maneira de pensar disciplina, presença, performance e bem-estar.
Aos 36 anos, Lucas Malvacini atravessa uma das fases mais transformadoras de sua trajetória pessoal e profissional. Conhecido do grande público por trabalhos como Amor à Vida, da TV Globo, e mais recentemente pela novela vertical A Brilhante Vingança, do Kwai Brasil, o ator e modelo vive hoje uma mudança que ultrapassa os limites da televisão, da moda e da imagem. Depois de anos inserido em um universo no qual o corpo e a aparência sempre estiveram em evidência, Lucas começou a perceber que precisava olhar para uma dimensão menos visível de si mesmo. Entre 2022 e 2023, enfrentou um dos períodos mais desafiadores de sua vida: ganhou cerca de dez quilos, perdeu autoestima e confiança e passou a lidar silenciosamente com um quadro de depressão. O momento provocou uma revisão profunda sobre a maneira como estava vivendo e o levou a buscar, na construção de uma rotina estruturada, um caminho de reconstrução física, mental e emocional. Corrida, treinamento, leitura, silêncio, meditação, respiração, banho frio e períodos de jejum começaram a fazer parte de seus dias. Aos poucos, aquilo que inicialmente surgiu como uma tentativa pessoal de recuperar o equilíbrio passou a revelar uma compreensão maior sobre disciplina e transformação. Lucas percebeu que mudanças consistentes não acontecem necessariamente a partir de grandes decisões, mas da repetição de pequenas escolhas capazes de reorganizar a relação de uma pessoa com o próprio corpo, com a mente e com o tempo. Foi desse processo íntimo que nasceu a ideia da Rotina dos Lanús, projeto que hoje representa uma nova frente em sua trajetória e traduz uma experiência que começou muito antes de se transformar em negócio.

A chegada da jornalista especializada em turismo Anna Laura Wolf em sua vida, em 2023, também teve papel importante nessa transformação. Ao lado dela, Lucas iniciou uma jornada por diferentes países e passou a observar outras maneiras de compreender saúde, bem-estar, espiritualidade e qualidade de vida. Em destinos como Bali, na Indonésia, encontrou culturas nas quais práticas de autocuidado, conexão com a natureza, espiritualidade e atenção ao corpo fazem parte da rotina de maneira muito mais orgânica. A experiência ampliou sua visão sobre o conceito de wellness e ajudou a afastá-lo de uma interpretação limitada à estética, ao consumo ou à ideia de uma vida idealizada. Para Lucas, bem-estar passou a representar presença, consciência e equilíbrio entre corpo, mente e propósito. Viajar tornou-se também uma forma de observar como diferentes sociedades lidam com o tempo, com o silêncio, com o movimento e com os próprios rituais cotidianos. Em vez de buscar uma fórmula pronta, ele passou a identificar práticas simples que, quando incorporadas com constância, podem produzir mudanças significativas na maneira de viver. A experiência ao lado de Anna Laura também trouxe uma nova perspectiva sobre o próprio ritmo. Depois de anos de uma rotina marcada pelo trabalho, pela exposição e pelas exigências da imagem, Lucas começou a valorizar cada vez mais os momentos de pausa, presença e conexão. Foi desse encontro entre experiência pessoal, viagens e investigação que a Rotina dos Lanús começou a ganhar forma. Primeiro como um laboratório de autodesenvolvimento, depois como uma filosofia de vida e, finalmente, como uma plataforma que passou a alcançar outras pessoas interessadas em construir uma relação mais consciente com seus próprios hábitos.

O próprio nome do projeto carrega uma dimensão filosófica. Inspirado nas obras de Helena Blavatsky, especialmente em A Voz do Silêncio, o termo “Lanú” representa o discípulo, aquele que escolhe conscientemente um caminho de disciplina, evolução e despertar interior. A partir desse conceito, Lucas estruturou a Rotina dos Lanús em seis pilares fundamentais: jejum, movimento e corrida, banho frio, meditação e respiração, leitura e mentalidade estoica. A proposta não está simplesmente em reunir práticas de bem-estar, mas em compreender o que acontece quando elas passam a fazer parte da vida de maneira consistente. O movimento trabalha o corpo e a disposição, enquanto a leitura amplia repertórios e a meditação cria espaço para presença e observação. A respiração estabelece uma relação mais consciente com o próprio estado mental, o jejum propõe uma reflexão sobre impulsos e hábitos, o banho frio representa uma experiência de desconforto voluntário e a filosofia estoica oferece uma perspectiva sobre controle, responsabilidade e escolhas. Ao longo dessa jornada, Lucas aprofundou seus estudos sobre hábitos, performance humana e wellness e realizou formações ligadas às práticas de gelo e breathwork por meio do método Wim Hof. O conceito de desconforto voluntário passou a ocupar um espaço importante em sua filosofia, não como defesa do sofrimento, mas como uma maneira de desenvolver consciência sobre as próprias reações. “O corpo muda através da constância, a mente se fortalece através do desconforto voluntário e a vida ganha sentido quando sustentada por rituais sólidos”, afirma Lucas. A frase resume a essência de uma proposta que procura deslocar o wellness de uma dimensão puramente estética para uma conversa mais profunda sobre comportamento, disciplina, presença e qualidade de vida.
Com o crescimento orgânico da comunidade, a Rotina dos Lanús deixou de ser apenas um perfil ou um diário pessoal e passou a se estruturar como uma plataforma. Lucas tornou-se autor do e-book A Rotina dos Lanús e começou a transformar suas experiências em conteúdo e ferramentas para pessoas interessadas em hábitos, performance e desenvolvimento pessoal. O passo seguinte foi levar essa filosofia para o mundo físico por meio da Lanú.Lab, uma experiência imersiva que reúne corrida, treino funcional, yoga, meditação, sauna, banho de gelo e talks sobre disciplina, rotina e propósito. A primeira edição aconteceu em novembro de 2025, em Itacaré, e em 2026 a experiência foi levada para a Chapada dos Veadeiros, entre os dias 13 e 16 de agosto, abrindo espaço também para mulheres e casais. Mais do que um evento, a Lanú.Lab procura criar uma experiência na qual diferentes dimensões do wellness possam coexistir. Existe o esforço físico, mas também a recuperação; existe o treinamento, mas também a meditação; existe o desconforto, mas também o descanso. A natureza ocupa um papel importante nesse cenário justamente por oferecer uma distância da velocidade característica das grandes cidades e permitir uma relação mais direta com o próprio corpo e com o ambiente. A proposta é transformar teoria em experiência e fazer com que conceitos como disciplina, presença e propósito deixem de existir apenas como discurso. A Lanú.Lab representa, assim, uma extensão natural da trajetória de Lucas: aquilo que começou como uma necessidade individual de reorganizar a própria vida encontrou uma linguagem capaz de ser compartilhada e vivenciada coletivamente.

Hoje, casado com Anna Laura Wolf, Lucas Malvacini ocupa um território profissional que combina a experiência construída diante das câmeras com uma nova atuação como criador, fundador e comunicador dentro dos universos do wellness, da performance e da mentalidade. A televisão e a moda continuam sendo capítulos fundamentais de sua trajetória, mas já não definem sozinhas a maneira como ele se apresenta ao mundo. Existe agora uma preocupação maior com aquilo que acontece por trás da imagem e com a construção de uma vida que não dependa exclusivamente da validação externa. É justamente nesse ponto que a Rotina dos Lanús ganha relevância. Em um mercado cada vez mais repleto de discursos sobre alta performance, transformação física e bem-estar, Lucas procura construir uma narrativa menos imediatista e mais relacionada à consistência. Sua experiência pessoal funciona como ponto de partida para uma reflexão sobre a forma como a sociedade contemporânea lida com disciplina, prazer, desconforto e recompensa. Em vez de vender a ideia de uma transformação instantânea, seu projeto parte da repetição. O compromisso com uma corrida, uma leitura, um momento de silêncio, uma prática de respiração ou qualquer outro ritual só ganha força quando deixa de depender da motivação do dia. Nesse sentido, a disciplina deixa de ser entendida como rigidez e passa a ser vista como uma forma de autonomia. Performance também deixa de significar apenas produzir mais ou alcançar determinado corpo e passa a envolver a capacidade de estar presente, recuperar-se, estabelecer limites e sustentar escolhas ao longo do tempo. É uma mudança de perspectiva que dialoga com um público cada vez mais interessado em experiências reais e menos disposto a consumir apenas a estética de uma vida saudável.

No fim, a história de Lucas Malvacini não é sobre deixar uma carreira para trás, mas sobre descobrir o que fazer com tudo aquilo que ela lhe ensinou. Depois de anos diante das câmeras, em um universo onde o corpo e a imagem sempre estiveram em evidência, ele encontrou no próprio processo de reconstrução uma maneira de olhar para além da aparência. A Rotina dos Lanús nasce justamente desse ponto de virada: quando cuidar de si deixa de ser uma questão estética e passa a ser uma escolha de vida. Hoje, entre o entretenimento, as experiências imersivas e o universo do wellness, Lucas constrói um novo capítulo sem romper com os anteriores, mas dando a eles outro significado. O ator que aprendeu a interpretar diferentes personagens encontrou, na própria rotina, um território onde não existe personagem a sustentar. Existe apenas presença. E é desse lugar, mais íntimo e consciente, que ele parece finalmente ter encontrado não apenas um novo projeto profissional, mas uma direção para a vida que escolheu construir.


