De pássaros a cobras e gatos, o surrealismo volta a ganhar força no design de calçados de luxo
As passarelas mais recentes da Paris Fashion Week revelam uma tendência curiosa e altamente teatral: sapatos que reproduzem animais de forma hiper-realista. O que começou como um detalhe artístico na alta-costura evoluiu para uma verdadeira narrativa visual nas coleções recentes, onde pássaros, cobras e felinos aparecem esculpidos diretamente nos calçados.

Uma das criações que mais chamou atenção na temporada foi apresentada pela Schiaparelli. Sob a direção criativa de Daniel Roseberry, a marca levou à passarela pumps com uma cabeça de gato moldada na parte frontal do sapato. O modelo, feito em couro bege com acabamento que lembra pelo de animal, traz um felino com dentes aparentes e bigodes esculpidos, criando um efeito impressionantemente realista.

A proposta dialoga diretamente com o universo surrealista da fundadora da maison, Elsa Schiaparelli, conhecida por transformar moda em arte e explorar elementos inesperados da natureza em suas criações. Na coleção atual, esse imaginário aparece ampliado: além dos gatos, a marca apresentou saltos esculturais inspirados em garras de pássaros e ferragens que lembram anatomias animais.

A presença de animais nos acessórios não é totalmente nova na alta-costura, mas o que diferencia a atual temporada é o nível de realismo e detalhamento. Em coleções recentes, pássaros dourados surgiram como elementos estruturais em bolsas e saltos, enquanto cobras e outras criaturas ganharam formas esculturais que parecem quase vivas.


Essa estética revela uma busca crescente por peças que ultrapassam a função utilitária do sapato e se aproximam de objetos de arte. Esculpidos em resina, metal ou couro moldado, os animais transformam o calçado em uma narrativa visual — ora lúdica, ora provocadora.

Mais do que uma excentricidade de passarela, a tendência aponta para um momento em que a moda de luxo aposta no impacto visual e na fantasia. Ao trazer animais hiper-realistas para os pés, as maisons reforçam uma tradição da alta-costura: a de transformar o corpo em palco para imaginação, escultura e espetáculo.



