Charlie Constantinou reinventa o uniforme para o outono-inverno 2026-27

O designer transforma tradição militar em arquitetura vestível e sustentável. Para sua sexta temporada, Charlie Constantinou propõe uma reflexão sobre um conceito tão familiar quanto complexo: o uniforme. Em A Contradiction of Uniform, a coleção outono-inverno 2026-27 questiona o que significa vestir-se de forma padronizada hoje, transformando peças de autoridade histórica em objetos de expressão individual e movimento.

Inspirando-se nos uniformes dos séculos XVIII e XIX, quando o vestuário codificava hierarquia e status, Constantinou resgata plissados decorativos, galões e trançados — elementos de rigor formal — e os reinventa em um vocabulário contemporâneo. Onde antes marcavam autoridade, agora funcionam como zonas de expansão e tensão, permitindo que a silhueta se adapte ao corpo e ao ambiente. O uniforme deixa de ser armadura estática e se torna arquitetura vestível em constante transformação.

A paleta de cores conecta passado e presente: cinzas grafite e verdes terrosos conferem um aspecto utilitário e mineral, enquanto vermelhos vivos remetem aos históricos mantos militares britânicos. Tonalidades inesperadas de violeta e azul quebram a conformidade cromática, levando o uniforme para uma dimensão expressiva e estrutural, além do simbolismo. Fiel à sua abordagem sustentável, cada peça nasce de tecidos dead stock, submetidos a processos artesanais de tingimento e escovação. A combinação de algodões, lãs e sedas orgânicas com nylons técnicos garante que nenhuma peça seja idêntica à outra, transformando a uniformidade histórica em singularidade manual.

A narrativa circular se estende além do vestuário por meio de uma colaboração com a marca londrina Chilly’s, resultando em acessórios para garrafas e bolsas reutilizáveis, todos feitos a partir de materiais remanescentes da maison e tingidos à mão. Cada objeto reflete a filosofia de Constantinou: design funcional, consciente e integrado ao cotidiano. Com A Contradiction of Uniform, Charlie Constantinou não destrói a tradição; ele a liberta. Mantém a disciplina estrutural do uniforme, mas desloca seu significado: de símbolo fixo de pertencimento coletivo, ele se torna ferramenta evolutiva capaz de absorver e expressar as contradições do mundo contemporâneo.

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