Nossa fascinação coletiva por Marilyn Monroe parece nunca diminuir. Só no último ano, uma serigrafia de Andy Warhol da estrela de “Quanto Mais Quente Melhor ” quebrou recordes na Christie’s com uma venda de US$ 195 milhões , a Netflix lançou sua intrigante série documental, “O Mistério de Marilyn Monroe” , sobre as horas que antecederam sua morte, e uma certa Kardashian causou alvoroço na internet ao usar o vestido Bob Mackie com o qual cantou para John F. Kennedy no Met Gala. Agora, a Netflix lançou “Blonde” , a tão aguardada (e altamente controversa) cinebiografia de Andrew Dominik, com Ana de Armas no papel principal. Antes da estreia, e a TREND analisa de perto o que uma das maiores lendas da moda da história realmente vestia no dia a dia.

Marilyn Monroe: o minimalismo secreto por trás da lenda
Quando pensamos em Marilyn Monroe, a imagem que vem à mente são vestidos icônicos, curvas esculturais e o glamour cinematográfico que atravessa gerações. Mas, fora das câmeras, o guarda-roupa da estrela era surpreendentemente minimalista — uma expressão discreta de elegância e modernidade.

O aguardado Blonde, novo filme biográfico da Netflix estrelado por Ana de Armas, revisita a dualidade de Marilyn: Norma Jeane, a jovem californiana de cabelos dourados e sorriso luminoso, e Marilyn, o ícone sexual que imortalizou o vestido Jean Louis nude cravejado de strass cantando para JFK. Embora os figurinos da atriz tenham se tornado peças reverenciadas da história da moda, Monroe não era uma exibicionista: suas roupas eram veículos de persona, não símbolos de vaidade.

Na tela, seu estilo era orquestrado por William Travilla, figurinista da Twentieth Century Fox, responsável pelos vestidos que definem a imagem de Monroe — do rosa icônico de Diamonds Are a Girl’s Best Friend ao plissado dourado de Como Conquistar um Milionário, passando pelo vermelho de Niagara e o branco de O Pecado Mora ao Lado. A atriz sabia brilhar quando precisava, mas esses momentos raramente refletiam sua vida privada.

Longe dos holofotes, Marilyn cultivava um estilo moderno e minimalista. Durante sua fase nova-iorquina, estudando com Lee Strasberg e casada com Arthur Miller, ela preferia camisas, calças capri, suéteres e vestidos pretos de linhas limpas, complementados por casacos de pele em tons neutros. Seu guarda-roupa de alta-costura era cuidadosamente selecionado por Amy Greene, esposa do fotógrafo Milton Greene, e incluía criações de Anne Klein, George Nardiello e Norman Norell, resultando em uma cápsula de vestidos pretos sensuais e discretos, justos ao corpo mas elegantes na simplicidade.

O jeans, verdadeiro símbolo do espírito americano, também era presença constante. Monroe ajudou a popularizar a peça feminina em filmes como Os Desajustados (1961), e suas calças e botas se tornaram itens de leilão históricos, compradas por valores extraordinários por colecionadores internacionais, incluindo Tommy Hilfiger. Nos sapatos, sua devoção a Salvatore Ferragamo se manteve inabalável, com pares exclusivos e confortáveis, alguns adornados com cristais Swarovski, eternizando seu estilo clássico e funcional.

A essência do estilo pessoal de Marilyn era a simplicidade — roupas feitas para serem usadas, não exibidas. Joias eram presentes para amigos; peças de cores vibrantes, como os jérseis de Emilio Pucci, eram exceções alegres em seu guarda-roupa. O verde-limão Pucci, última roupa fotografada antes de sua morte, e o vestido cor-menta com que foi enterrada, refletem a sutileza com que Monroe combinava modernidade e intuição estética.

Marilyn Monroe permanece, assim, um ícone de dualidades: estrela da tela, minimalista fora dela; sensualidade e discrição coexistindo com naturalidade, elegância e uma compreensão intuitiva do estilo que transcende tendências e gerações.




