Diesel aposta no maximalismo radical para o Inverno 26-27

Sob direção criativa de Glenn Martens, coleção transforma o pós-festa em manifesto de excesso, textura e afirmação.

Para o Outono-Inverno 2026-2027, a Diesel mergulha no instante suspenso entre a euforia da noite e a lucidez do amanhecer para afirmar um maximalismo sem concessões. Glenn Martens imagina uma silhueta que emerge de uma madrugada sem contornos, soberana e sem arrependimentos, guiada pelo lema “Own it, live it, be it”. A coleção traduz aquele momento paradoxal em que, ao deixar um quarto desconhecido, a sensação é de potência absoluta. As peças parecem improvisadas — torcidas, amassadas, enroladas às pressas — mas revelam construção meticulosa. Tops de jersey em dupla camada simulam descuido, embora sejam sustentados com precisão cirúrgica. Malhas propositalmente “fervidas” partem de volumes oversize e se fixam em pregas permanentes. O denim, matéria totêmica da casa, é tratado com resina para cristalizar marcas e dobras como cicatrizes de mil noites seguidas, enquanto modelos extra-longos ganham fendas verticais ocultas que deslizam sobre stilettos, equilibrando fetiche e funcionalidade.

O maximalismo se manifesta na sobreposição de texturas, volumes inflados e detalhes que tensionam o olhar. Casacos de alpaca e lã, amplos e sem forro, flutuam ao redor do corpo, ampliando proporções. Alfaiatarias feltradas nascem de sobras industriais e excedentes destinados ao descarte, transformando a modelagem em gesto de redenção e reforçando o discurso de upcycling. Intársias revelam flores recortadas na própria malha, como se o tecido tivesse sido devorado. Calças deslocam bolsos para a barra, sobrepondo-os aos sapatos e redefinindo a lógica utilitária. Saias de denim aveludado assumem volumes exuberantes; camisetas de turnê rasgadas e jeans destruídos são cravejados de cristais e recobertos por tule desfiado; macacões em trompe-l’oeil simulam sobreposições improvisadas; saias franzidas escondem leggings integradas, dramáticas e pragmáticas ao mesmo tempo.

As superfícies explodem em informação: denim flocado, casacos “monstro” em patchwork vibrante, couro pintado em tons intensos e veludos drapeados criam uma estética de excesso calculado. Estampas plastificadas e propositalmente craqueladas revelam desenhos sob a camada externa, como uma verdade íntima que insiste em emergir. O desfile amplia esse discurso ao abrir o cofre da marca, exibindo cerca de 50 mil peças de arquivo em uma instalação imersiva que revisita quase cinco décadas de história desde 1978. Reconfigurados e reutilizados, esses itens reafirmam o compromisso da Diesel com materiais responsáveis no denim, no prêt-à-porter e nos acessórios.

Entre as novidades, a bolsa D-One estreia com alças que se transformam em múltiplas tiras ao longo do corpo, surgindo em couro, denim cravejado de cristais ou estampas florais. Sapatos esculturais projetam bicos afiados sobre uma parede lateral marcante, reinterpretados em escarpins, botas, derbies e ankle boots. Óculos de linhas curvas criam sombras gráficas em forma de “D” sobre a pele, enquanto Closer, o primeiro relógio unissex da casa, combina funcionalidade e joalheria em um engenhoso fecho oculto. No amanhecer imaginado por Martens, o excesso não é exagero, mas linguagem: um maximalismo que transforma caos em identidade e afirma a moda como território de intensidade absoluta.

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