Uma nova tendência tem preocupado dermatologistas ao redor do mundo: parte da Geração Z está rejeitando o uso de protetor solar.

Uma nova tendência tem preocupado dermatologistas ao redor do mundo: parte da Geração Z está rejeitando o uso de protetor solar.
Em plataformas como TikTok e Instagram, jovens influenciadores vêm questionando a eficácia e a segurança do produto — chegando até a afirmar que o uso diário de filtros solares faria “mais mal do que bem”. Com isso, o debate sobre o papel do protetor solar ganhou as redes sociais e acendeu um alerta na comunidade médica.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o uso diário de protetor solar reduz em até 40% o risco de desenvolver câncer de pele, além de ser uma das ferramentas mais eficazes contra o envelhecimento precoce e manchas. Mesmo assim, vídeos com milhões de visualizações promovem a substituição do filtro por óleos naturais ou simplesmente incentivam a exposição solar sem qualquer proteção. Para especialistas, esse movimento é um reflexo da era da desinformação.

“O problema não é apenas deixar de usar o produto, mas a confiança em fontes não especializadas que distorcem ou negam décadas de pesquisas científicas”, alerta a dermatologista Dra. Fernanda Martins. Ela explica que, ao contrário do que muitos influenciadores afirmam, o uso contínuo de protetores com FPS adequado não é tóxico e ainda protege o DNA celular contra danos causados pelos raios UVA e UVB.
Boa parte da resistência da Geração Z se relaciona à composição química dos protetores — especialmente aos filtros químicos —, além da preocupação com o impacto ambiental. Apesar de válida, essa preocupação vem sendo abordada pela indústria, que já oferece opções com filtros minerais e fórmulas reef-safe (seguras para recifes de corais), além de versões veganas e cruelty-free.
Outro fator relevante é o estilo de vida digital. Com menos tempo ao ar livre e mais horas diante das telas, muitos jovens subestimam a necessidade da fotoproteção. No entanto, estudos recentes indicam que a luz visível (emitida por computadores e celulares) também contribui para o surgimento de manchas e o envelhecimento da pele — especialmente em pessoas de pele média a escura.

Para os especialistas, a solução passa por educação. Não basta prescrever protetor: é preciso explicar seus benefícios, adequar o produto ao tipo de pele e dialogar com essa geração que busca propósito em tudo o que consome. Dermatologistas defendem que as campanhas de conscientização evoluam junto com os hábitos culturais e digitais das novas gerações.
No fim das contas, a escolha de não usar protetor solar, apesar de pessoal, pode trazer consequências coletivas para a saúde pública. O câncer de pele é o mais incidente no Brasil, com mais de 185 mil novos casos por ano, segundo o INCA. E, ao contrário do que muitos pensam, os danos acumulados ao longo da juventude só aparecem décadas depois — tornando a prevenção ainda mais essencial.
Portanto, em meio a filtros estéticos e teorias duvidosas, proteger a pele segue sendo mais do que um ato de vaidade: é um gesto de responsabilidade consigo mesmo.




