Na Celine, Michael Rider corta o presente na pele para o homem

Em Paris, Michael Rider assina para Celine uma coleção masculina ancorada na realidade, projetada para viver, durar e afirmar o caráter em vez do disfarce.

Neste sábado, 24 de janeiro de 2026, no coração de Paris, Celine abriu as portas de seu Hotel Colbert de Torcy como um vestiário ideal. Sob a pedra clara deste sótão de 1640 com história, Michael Rider revelou sua primeira coleção masculina completa para casa, um manifesto silencioso, mas firme, sobre o que significa vestir-se hoje.

O ponto de partida é claro: pegar o quadro do vestiário masculino, o que Celine encarna, e confrontá-lo com a energia do presente. O “aqui e agora”. Como os homens vivem, como eles querem se sentir em suas roupas? A resposta pode ser lida em cada silhueta: o caráter antes do traje, a atitude antes do efeito. Roupas necessárias, pessoais, feitas para acompanhar dias, noites, vários momentos da vida.

Com o designer, Celine se torna um lugar onde você vem se vestir — de verdade. Escolhemos peças fortes, pensadas para serem apropriadas, desviadas, integradas a um ritmo, a um estilo próprio. Os materiais falam de durabilidade e desejo: cashmeres profundos, couros de uma finura quase de papel, sedas soberbas trabalhadas em lenços heráldicos, decididamente franceses, saturados com logotipos assumidos.

A alfaiataria é inventiva sem nunca ceder à demonstração. Os casacos de caxemira terminam com lapelas de smoking, os trench coats de couro ultrafino evocam a elegância silenciosa de um espião sofisticado. Depois vêm os fragmentos: jaquetas de couro de estrela do rock, verdadeiras peças de bravura, impressas no Arco do Triunfo ou em relevo do Rei Sol, majestosos e irônicos ao mesmo tempo. Um deles até tem o logotipo original de Céline Vipiana – um elefante – um aceno patrimonial tão inesperado quanto jubiloso.

Na continuidade de seu primeiro desfile de julho, Michael Rider expande seu vocabulário com inteligência e humor. Os capacetes de bicicleta assinados, nascidos da observação atenta de suas equipes indo para o estúdio de bicicleta, tornam-se objetos de desejo. Quatro bicicletas estacionadas no saguão, outras penduradas nas paredes do showroom: a moda está ancorada na vida real, sem perder um pingo de brio.

Tudo aqui é uma elegância que não procura gritar, mas que sabe se fazer ouvir. Clássicos mordazes, contenção precisa, ironia educada. Celine Outono-Inverno 2026-27 não impõe nada: ela propõe, convida, acompanha. Um guarda-roupa como uma presença — discreta, confiante e profundamente contemporânea.

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