Na primavera-verão 2027, a diretora criativa transforma costuras, forros e estruturas internas em protagonistas de uma coleção que explora a beleza do que normalmente permanece invisível.

Em sua segunda coleção para a Marni, apresentada durante a Milan Fashion Week, Maryll Rogge aprofunda sua investigação sobre a construção da roupa. Para a primavera-verão 2027, a estilista belga propõe uma moda que revela seus próprios mecanismos, trazendo à superfície elementos tradicionalmente ocultos, como forros, costuras e estruturas internas.

Vestidos, malhas e peças de alfaiataria surgem atravessados por recortes, aberturas e transparências que transformam o interior da roupa em parte fundamental da narrativa visual. A lingerie deixa de ser um elemento privado para assumir papel arquitetônico, enquanto a transparência é utilizada como recurso de composição, e não apenas de sensualidade.

O mesmo raciocínio aparece nos acessórios. Bolsas icônicas da maison ganham novas proporções e recortes, enquanto botões, casas e acabamentos são ampliados até se tornarem elementos gráficos. Tecidos como lã, seda, couro, tricô e paetês convivem em combinações inesperadas, criando um equilíbrio entre rigor técnico e espontaneidade.

A paleta aposta em tons neutros inspirados na diversidade natural da pele humana, reforçando a proposta de uma coleção que fala sobre identidade, processo e transformação. Mais do que desconstruir, Rogge procura revelar. Em uma temporada marcada pela reflexão sobre a própria construção da moda, a Marni apresenta peças que celebram a beleza do que existe por trás da superfície.



