Entre a força do workwear, a sensualidade das transparências e a herança da maison italiana, a coleção primavera-verão 2027 propõe uma reflexão sofisticada sobre poder, identidade e liberdade feminina.



Na passarela da Milan Fashion Week, Maximilian Davis apresentou uma das coleções mais maduras de sua trajetória à frente da Ferragamo. Para a primavera-verão 2027, o diretor criativo mergulha no universo dos anos 1940, década em que a entrada das mulheres no mercado de trabalho redefiniu não apenas a moda, mas também a forma como elas ocupavam espaço na sociedade. O resultado é uma coleção que transforma referências históricas em uma linguagem contemporânea, elegante e extremamente relevante.


A inspiração no vestuário utilitário aparece em cinturas marcadas, bolsos funcionais, saias lápis e uma alfaiataria precisa que transmite autoridade sem perder feminilidade. Davis parte da ideia de que a roupa influencia comportamento, postura e presença, reinterpretando códigos do passado para dialogar com uma mulher que hoje exerce seu poder de maneira ainda mais livre e consciente.


Mas a coleção encontra sua força justamente nos contrastes. Ao lado do rigor quase militar do workwear, surgem transparências, couros, superfícies brilhantes e tecidos que revelam o corpo de forma sofisticada. O estilista cria um equilíbrio entre disciplina e desejo, estrutura e fluidez, trazendo sensualidade para dentro de uma narrativa que fala sobre autonomia e autoconfiança.


As referências ao surrealismo aparecem de forma sutil, através de efeitos visuais, sobreposições e jogos de textura que ampliam a dimensão artística da coleção. Nos acessórios, a Ferragamo revisita seu próprio legado ao reinterpretar a icônica plataforma criada por Salvatore Ferragamo em 1947, reafirmando a capacidade da maison de atualizar seus códigos sem perder a essência.


Mais do que um exercício de nostalgia, a primavera-verão 2027 da Ferragamo utiliza o passado como ferramenta para discutir o presente. Entre memória, elegância e transformação, Maximilian Davis entrega uma coleção que reafirma a mulher contemporânea como protagonista absoluta de sua própria narrativa.




