Com sua coleção masculina outono/inverno 2026, Alessandro Sartori impulsiona a marca do passado para o futuro. Entre os convidados ilustres presentes no desfile, apresentado na Semana de Moda de Milão, estavam Mads Mikkelsen, James Norton e Lee Byung-Hun, enquanto a superestrela asiática William Chan desfilou na passarela.

Sob a cúpula Art Nouveau do Palazzo del Ghiaccio em Milão, Zegna encena um evento que transcende o simples desfile de moda. No centro do espaço, uma exposição de guarda-roupas torna-se uma representação simbólica da narrativa da coleção Outono/Inverno 2026, que evoca tempo, continuidade e responsabilidade. Nos guarda-roupas Zegna, passado, presente e futuro coexistem, literal e figurativamente. Há roupas de família, a excelência têxtil que forjou a reputação da marca e uma reflexão muito atual sobre o sentido de se vestir hoje. “As roupas dão confiança”, explica Ermenegildo Zegna, vestindo um casaco cruzado dos anos 1930 herdado de seu pai. Uma frase simples, quase desarmante, que esclarece imediatamente o tom da operação: não se trata de nostalgia, mas de confiança. Confiança na qualidade, na sustentabilidade, no valor do que é transmitido.

A coleção Zegna Outono-Inverno 2026
Os primeiros modelos desfilaram de roupão, um gesto que mudou a conversa do formal para o pessoal. Não é por acaso que este tema está diretamente ligado ao projeto Villa Zegna, concebido para uma clientela que favorece a personalização e uma relação mais profunda com o produto. “Sinto-me como o guardião do guarda-roupa da família Zegna”, disse Alessandro Sartori durante a apresentação da coleção. Uma afirmação que define claramente seu papel, mais conservador do que egocêntrico. “A ideia é comprar e montar um guarda-roupa para transmitir valores. Nossos clientes não usam roupas para jogar fora, mas as colecionam como relógios, joias e objetos.” Esta declaração expressa uma posição clara contra a natureza descartável da moda contemporânea e propõe uma alternativa que se inspira na cultura da coleção, também cara a um determinado público descrito pelo Wall Street Journal: consumidores experientes e sofisticados, interessados em sustentabilidade em vez de novidade.
A coleção reinventa os clássicos atemporais do guarda-roupa masculino: de loden a jaquetas cruzadas, de blazers a sobretudos. “Reinventamos clássicos atemporais, feitos com um know-how excepcional, para criar peças de qualidade irrepreensível”, explica Sartori. As cores – pedra, castanha, azeitona, realçadas com toques de terracota, mel e preto fosco – afirmam uma paleta natural, longe de qualquer fantasia decorativa.


No lado formal, as jaquetas ligeiramente alongadas apresentam golas altas e ombros estruturados. As calças permanecem flexíveis, abraçando os movimentos do corpo. Mocassins de camurça ou feltro de lã completam essa ideia de conforto sofisticado. O couro também está presente, especialmente para jaquetas funcionais, assim como listras e xadrez de efeito macro, que modernizam os códigos de vestimenta sem distorcê-los. Entre as inovações patenteadas estão a jaqueta cruzada com três botões horizontais, projetada para se adaptar ao estilo e às necessidades de cada um, bem como os casacos de malha Trofeo, assim nomeados em homenagem ao troféu historicamente concedido aos criadores de cabras, um detalhe que destaca o setor e a ligação com a matéria-prima.
No lado têxtil, Zegna continua suas experiências discretas. A lã de caxemira “papel”, uma mistura de fios de lã e fibras de papel, ilustra essa pesquisa a serviço do conforto e da leveza. O jeans é decorado com um visual estruturado, com bolsos e jaquetas de couro napa casual, demonstrando como sublimar os materiais mais simples sem sacrificar sua naturalidade. Uma coleção que não pode ser apreendida à primeira vista, mas é apreciada ao longo do tempo. Como um guarda-roupa familiar, enriquece e se desenvolve temporada após temporada, transmitindo os valores de cada um.

Estrelas e convidados no desfile Zegna outono/inverno 2026
O desfile outono/inverno 2026 da Zegna reuniu personalidades de diversas origens, testemunhando a influência interdisciplinar da marca. Entre os atores internacionais presentes estavam Mad Mikkelsen, figura emblemática do cinema europeu e de Hollywood; Lee Byung-hun, estrela da série de televisão coreana Squid Game; Giancarlo Esposito, rosto icônico da televisão americana; e Matt Smith, James Norton e Lee Pace, atores renomados no cinema e na televisão. O diretor e produtor Roman Coppola também esteve presente, assim como o cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho e Akinola Davies Jr., um jovem talento promissor do cinema britânico. O elenco incluía personalidades culturais e de estilo de vida, como o compositor e ator William Chan, enquanto na primeira fila também estavam os designers Yajun Xu, Idan Weiss e Emilia Lesclaux, a designer de joias Marie Marot e o ex-campeão de esqui Paolo De Chiesa. A lista foi completada por ícones internacionais do mundo dos negócios e da moda, como Rakan Alireza, Talal Al-Akeel, Bader Kabbani, Mark e Karen Chanloung, bem como o ator italiano Giacomo Giorgio e a modelo Moustapha Diatta.



