Sob a lente cinematográfica de Gabriel Moses, três mulheres que redefiniram seus territórios criativos protagonizam uma campanha que conecta a herança alpina da Moncler à força de uma identidade construída sem concessões.

Há mulheres que acompanham o espírito de seu tempo. Outras ajudam a defini-lo. É dessa segunda categoria que a Moncler se aproxima em Re/Icons, campanha que reúne Cher, Jennie e Grace Jones em um encontro entre moda, memória e individualidade. Três artistas de gerações distintas, com linguagens e trajetórias próprias, protagonizam uma narrativa sobre pioneirismo, liberdade de expressão e a capacidade de permanecer relevante sem se tornar refém das expectativas alheias. Mais do que associar a imagem da marca a nomes reconhecidos mundialmente, a iniciativa propõe uma reflexão sobre o que significa abrir caminhos e sustentar uma identidade ao longo do tempo.

Fotografada e dirigida por Gabriel Moses, a campanha explora a tensão entre a singularidade e o coletivo. Em composições de forte apelo cinematográfico, cada protagonista emerge de uma multidão, transformando a presença individual em gesto de afirmação. A construção visual encontra seu ponto de partida na própria história da Moncler, fundada em 1952, nos Alpes franceses, e profundamente ligada ao desenvolvimento do vestuário técnico para ambientes extremos. As fotografias de arquivo de Lionel Terray, alpinista e um dos primeiros colaboradores da maison, recuperam esse imaginário de exploração. A relação entre Terray e a marca ajudou a consolidar uma tradição na qual a inovação nasce da necessidade de ultrapassar limites, uma ideia que a campanha transporta do território da montanha para o universo da cultura contemporânea.

Cher surge com a jaqueta Himalaya branca e o modelo Verone preto, acompanhados por uma echarpe amarela que evoca o figurino criado por Bob Mackie para The Cher Show. No filme da campanha, o acessório recupera o gesto de abertura do espetáculo e funciona como ponto de partida para o movimento dos bailarinos ao redor da artista. A referência não é apenas visual: traduz a capacidade de Cher de transformar figurino, performance e imagem pública em extensões inseparáveis de sua expressão artística. Vencedora de Emmy, Grammy, Globo de Ouro e Oscar, a cantora e atriz construiu uma trajetória marcada pela reinvenção e pela recusa em permanecer confinada a uma única definição. Ao falar sobre pioneirismo, ela o associa à determinação, à resistência e à gratidão, valores que conferem à campanha uma dimensão que vai além da celebração da fama.

Jennie, por sua vez, representa uma geração que transformou a música pop em um território de circulação global entre moda, comportamento e identidade. Vestindo a jaqueta Karakorum preta e o colete Tibb em tom caramelo, a artista aparece cercada por rostos diversos, em uma composição que sugere tanto a dimensão coletiva de sua influência quanto a singularidade de sua presença. Integrante do BLACKPINK e também reconhecida por seus projetos individuais, Jennie personifica uma cultura na qual a expressão pessoal se tornou parte fundamental da linguagem artística. Seu desejo de continuar descobrindo novas versões de si mesma, experimentando livremente e sonhando mais alto dialoga com uma geração menos interessada em identidades definitivas do que na possibilidade de transformá-las continuamente. Na campanha, essa perspectiva encontra correspondência em uma moda que combina funcionalidade, atitude e construção de imagem

Com Grace Jones, o conceito de identidade assume contornos mais performáticos. Vestida com uma jaqueta Karakorum em violeta intenso, a artista surge em meio a figuras que reproduzem seus traços e sua maquiagem teatral, criando um jogo de espelhos que remete à parceria visual com o diretor e fotógrafo Jean-Paul Goude. Ícone da música, da moda e da cultura visual, Jones construiu uma imagem que desafia classificações convencionais e influenciou gerações de artistas ao tratar o próprio corpo como instrumento de expressão e experimentação. Sua presença confere à campanha uma camada particularmente instigante: o pioneirismo não aparece como uma conquista encerrada no passado, mas como disposição permanente para enfrentar o que ainda não foi feito. Para ela, o desafio ganha sentido justamente quando permite realizar algo que antes parecia impossível.

Ao reunir Cher, Jennie e Grace Jones, a Moncler constrói uma narrativa que atravessa gerações sem reduzir suas protagonistas a símbolos de nostalgia. Cada uma representa uma forma particular de independência criativa, da reinvenção pop à expansão das fronteiras culturais, passando pela construção de uma imagem radicalmente autoral. A herança técnica da maison oferece o elo entre essas histórias: assim como o vestuário de montanha foi desenvolvido para responder às exigências de ambientes extremos, o espírito pioneiro pressupõe disposição para avançar além do território conhecido. Em Re/Icons, o luxo encontra sua expressão menos na ideia de permanência estática do que na capacidade de evoluir, preservar a própria essência e continuar abrindo possibilidades. Afinal, certos ícones não atravessam o tempo simplesmente porque permanecem visíveis, mas porque continuam alterando a maneira como o mundo enxerga aquilo que vem depois.



