SPFW N61: FORCA STUDIO transforma a beleza em manifesto sob a direção de Maxima Weber

Entre rostos desconstruídos, cabelos de arquitetura futurista e intervenções gráficas sobre a pele, a beleza assinada por Maxima Total Beauty e House of Maxima traduz a liberdade, a diversidade e a atitude punk em uma narrativa que ultrapassa os limites da maquiagem convencional

Foto Matheus Alexandre
Foto Matheus Alexandre

Na passarela, a beleza raramente se resume ao que se vê diante do espelho. Em seu sentido mais interessante, ela é capaz de construir personagens, estabelecer atmosferas e ampliar o discurso de uma coleção. Na apresentação da FORCA STUDIO durante a SPFW N61, essa dimensão ganhou protagonismo com a direção de beleza de Maxima Naomi Weber Lira, à frente da Maxima Total Beauty e da House of Maxima. Com uma proposta que combinou a crueza expressiva da maquiagem a cabelos de acabamento preciso, a profissional desenvolveu uma linguagem visual em sintonia com a atitude irreverente da marca, explorando os limites entre beleza, identidade e intervenção artística.

Foto Matheus Alexandre
Foto Matheus Alexandre
Foto Matheus Alexandre

RAW BEAUTY. POLISHED HAIR. NO FEAR. A frase escolhida para sintetizar o conceito revela a principal tensão estética do trabalho: rostos deliberadamente crus, desconstruídos e carregados de expressão em contraponto a cabelos polidos, estruturados e esculpidos com rigor. Em vez de buscar uma beleza excessivamente perfeita ou homogênea, Maxima partiu da ideia de uma imagem vivida, como se a maquiagem carregasse os vestígios de uma noite intensa, preservando marcas, excessos e uma certa imperfeição calculada. A beleza não precisava parecer intocada. Precisava ter presença.

Foto Matheus Alexandre
Foto Matheus Alexandre
Foto Matheus Alexandre

A inspiração punk apareceu justamente nessa recusa à neutralidade. A maquiagem foi pensada para sugerir movimento, espontaneidade e personalidade, como se cada rosto trouxesse consigo uma história anterior à entrada na passarela. A construção técnica se apoiou em três pilares fundamentais: hidratação, correção e contorno. Mas, no vocabulário de Maxima, esses fundamentos não representam necessariamente uma busca por padronização. São ferramentas para preparar a pele e construir uma imagem que pode, a partir daí, desafiar as convenções.

Foto Matheus Alexandre

“E você já parou para pensar no significado da palavra contorno nos dias de hoje?”, provoca a profissional em sua reflexão sobre o processo criativo. A pergunta abre espaço para uma leitura que vai além da técnica. Contornar significa desenhar, definir limites e criar dimensões, mas também pode ser entendido como uma metáfora para as fronteiras que a sociedade estabelece em torno da aparência. Na FORCA STUDIO, a beleza surge como possibilidade de questionar essas delimitações, propondo outras maneiras de ocupar a imagem e de se relacionar com o próprio corpo.

Foto Matheus Alexandre

A pele como território de expressão

Foto Matheus Alexandre

Um dos gestos mais marcantes da direção de beleza foi a decisão de inscrever a palavra FORCA diretamente sobre a pele. Maxima e sua House of Maxima picharam o nome da marca em alguns rostos e também em uma costa inteira, levando para o corpo uma linguagem visual associada à rua, à intervenção urbana e à rebeldia. A escolha rompeu com a maquiagem entendida apenas como acabamento estético e aproximou o trabalho de uma manifestação gráfica, na qual o corpo se transforma em suporte para uma mensagem.

A palavra, aplicada como uma intervenção deliberada, estabeleceu uma relação direta entre identidade e atitude. Não se tratava apenas de reproduzir um logotipo, mas de deslocar a marca para a pele, tornando-a parte da própria construção visual dos modelos. A referência à pichação trouxe uma dimensão de transgressão e espontaneidade, enquanto a presença da inscrição em diferentes partes do corpo ampliou a leitura da beleza para além do rosto. A pele deixou de ser apenas superfície a ser embelezada para se tornar espaço de criação.

A identidade gráfica da FORCA também foi explorada por meio da técnica de airbrushing, utilizada para recriar o logotipo nas cores vermelho, branco e preto. O procedimento reforçou a conexão entre maquiagem, arte e comunicação visual, incorporando a assinatura da marca à construção estética da apresentação. Em vez de funcionar como um elemento isolado, a intervenção gráfica dialogava com o espírito da coleção e com a proposta de uma beleza que não teme chamar a atenção.

“Criar belezas para grandes shows e passarelas é também sobre #NOFEAR, não ter medo. É desconstruir padrões, provocar olhares e criar sinais”, afirma Maxima. A declaração sintetiza o pensamento que orientou o trabalho: a maquiagem como instrumento de expressão, capaz de provocar reações e produzir significado. Em um universo no qual a beleza muitas vezes é associada à correção e à contenção, assumir o excesso e a imperfeição como possibilidades estéticas é também uma maneira de ampliar o repertório visual da moda.

Black power eyes, brilho e uma beleza sem fórmulas

Entre as palavras-chave do conceito estavam BLACK POWER EYES e GLOSSING, recursos que contribuíram para a construção de uma beleza jovem, expressiva e consciente. O olhar ganhou intensidade, enquanto o brilho introduziu uma dimensão quase tátil à maquiagem. A combinação entre pigmentação, textura e luminosidade criou contrastes que reforçavam a individualidade dos rostos, sem impor a todos os modelos uma mesma interpretação estética.

Foto Matheus Alexandre

A proposta não dependia de uma fórmula única. Ao contrário, a multiplicidade de linguagens foi parte central do projeto. Cada rosto exigia uma leitura própria, e a maquiagem precisava conversar com as características individuais de quem a usava, assim como com a imagem construída para a passarela. Essa abordagem tornou a diversidade um princípio de direção criativa, e não apenas uma característica do casting.

Ao reunir 66 modelos de múltiplas etnias, a apresentação ofereceu diferentes possibilidades de expressão. A beleza acompanhou essa pluralidade sem tentar apagá-la. Em vez de transformar diferenças em algo a ser corrigido, o trabalho procurou incorporá-las à narrativa coletiva, permitindo que a identidade de cada modelo permanecesse visível. Era uma concepção de beleza que não limitava, não padronizava e não pedia licença para existir.

“DIVERSIDADE E LIBERDADE. Essa foi a palavra-chave da FORCA: uma beleza que não limita, não padroniza e não pede licença para existir”, resume Maxima. A frase também ajuda a compreender a relação entre o conceito estético e a atitude da marca. A diversidade não foi tratada como um recurso decorativo, mas como uma possibilidade concreta de construir imagens distintas dentro de uma mesma direção. A unidade estava na intenção, não na uniformidade.

Cabelos como arquitetura

Foto Matheus Alexandre

Se a maquiagem apostava na desconstrução, os cabelos exploravam a precisão das formas. Topetes estruturados, superrabos de cavalo com acabamento aramado, fios modelados em efeito wet hair e composições de inspiração futurista criaram um contraponto deliberado à aparência mais crua dos rostos. O resultado dependia justamente desse equilíbrio entre espontaneidade e controle, entre o que parecia ter acontecido naturalmente e aquilo que exigia domínio técnico para existir.

Foto Matheus Alexandre

Géis, pentes e escovas foram utilizados para esculpir as formas, enquanto modeladores de cachos e sprays de fixação extraforte ajudaram a construir e preservar as estruturas ao longo da apresentação. Em alguns looks, acessórios prateados deram origem a um moicano futurista, reforçando o caráter experimental da proposta. Em outros, os fios apareceram superlisos ou mantiveram suas texturas naturais, finalizados com mousse e spray para valorizar diferentes desenhos e acabamentos.

A pluralidade dos cabelos era tão importante quanto a diversidade das maquiagens. Não havia a intenção de submeter todas as cabeças a um único padrão de beleza ou de transformar a precisão técnica em sinônimo de uniformidade. Cada composição contribuía para uma imagem mais ampla, na qual diferentes texturas, volumes e estruturas conviviam sem perder suas particularidades.

“Diferentes linguagens. Diferentes texturas. Uma mesma direção criativa”, define Maxima ao descrever a lógica do trabalho. A frase evidencia um dos aspectos mais interessantes da operação: coordenar dezenas de interpretações individuais sem eliminar a coerência estética da apresentação. A unidade visual não dependia de repetir o mesmo cabelo ou a mesma maquiagem, mas de fazer com que escolhas distintas respondessem a um conceito comum.

Quando a beleza deixa de ser acabamento

A direção de beleza da FORCA STUDIO demonstra como maquiagem e cabelo podem ocupar um lugar decisivo na construção de uma coleção. Ao combinar referências punk, intervenções gráficas, texturas contrastantes e estruturas futuristas, Maxima Weber desenvolveu uma proposta que não se limitava a acompanhar as roupas. A beleza acrescentava camadas de leitura à apresentação, ampliando sua identidade e estabelecendo um diálogo entre corpo, imagem e atitude.

Foto Matheus Alexandre

A inscrição da palavra FORCA na pele talvez seja a síntese mais evidente desse pensamento. A pichação desloca a beleza de seu território habitual e a aproxima de uma linguagem que carrega marcas de rua, de contestação e de ocupação do espaço. O gesto também revela uma compreensão contemporânea da maquiagem, na qual o rosto não precisa ser apenas valorizado ou corrigido: ele pode ser transformado em suporte narrativo, instrumento de comunicação e campo para experimentação.

Foto Matheus Alexandre

No fim, a proposta de Maxima não se resume à oposição entre uma pele desconstruída e um cabelo impecavelmente desenhado. O que a torna interessante é a maneira como esses elementos trabalham juntos para afirmar a liberdade de expressão. A técnica está presente em cada detalhe, mas não se impõe sobre a individualidade. A precisão existe para permitir a experimentação, e não para restringi-la.

“Porque, na passarela, cada rosto é uma tela, cada cabelo é uma arquitetura e cada escolha comunica”, afirma a diretora de beleza. A frase funciona como uma declaração de princípios e resume a abordagem desenvolvida para a apresentação: entender a beleza como construção artística, mas também como linguagem capaz de carregar ideias, provocar olhares e produzir imagens que permanecem na memória.

Foto Matheus Alexandre

Assinada pela Maxima Total Beauty e pela House of Maxima, a beleza da FORCA STUDIO na SPFW N61 reafirma, assim, uma visão em que liberdade e rigor técnico não são opostos. A maquiagem pode ser crua, o cabelo pode ser arquitetônico, a pele pode receber uma intervenção gráfica e o corpo pode se transformar em manifesto. O que une essas escolhas é a recusa em aceitar uma única definição de beleza.

Maxima Total Beauty. A arquitetura da beleza. A liberdade de criar. NO FEAR.

Direção de beleza: Maxima Naomi Weber Lira.

Foto Matheus Alexandre

Compartilhe

Receba a trend do momento

Cadastre seu e-mail principal para receber destaques e editoriais.