Mayari Jubini reafirma a identidade exuberante da Artemisi em uma coleção que une teatralidade, inovação tecnológica e excelência artesanal, celebrando o trabalho manual como uma das expressões mais preciosas do luxo contemporâneo.



Na passarela da São Paulo Fashion Week N61, Mayari Jubini reafirma aquilo que faz da Artemisi uma das expressões mais singulares da moda autoral brasileira: a capacidade de transformar roupa em espetáculo. À frente da marca, a estilista constrói um universo em que teatralidade, precisão artesanal e experimentação tecnológica convivem em criações que desafiam os limites convencionais da silhueta. Em uma temporada marcada por diferentes interpretações sobre o futuro da moda, a Artemisi encontra sua força justamente naquilo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir sozinha: o tempo, a habilidade e a sensibilidade envolvidos na construção de uma peça feita à mão.



“Em tempos de inteligência artificial, poucas coisas são tão luxuosas quanto uma peça que exige mais de mil horas de trabalho manual”, declarou Mayari durante a apresentação da coleção. A frase sintetiza o pensamento por trás de uma proposta em que o luxo não se limita à aparência, mas se revela também no processo. Vestidos longos inteiramente bordados, corsets ornamentados com franjas de maxicanutilhos, capas metálicas que remetem às escamas de peixes e conjuntos de calça e jaqueta com estampas pintadas à mão e aplicações de cristais demonstram a dimensão artesanal de um trabalho que exige rigor, dedicação e domínio técnico.


A pesquisa tecnológica também ocupa um lugar central na linguagem da Artemisi. A impressão 3D aparece em tops de anatomia feminina, máscaras e leques rígidos que acompanham a cintura e interferem na construção da silhueta. Embora tragam uma aparência futurista, esses elementos dependem de um cuidadoso trabalho posterior de polimento, acabamento e envernizamento. O resultado é uma moda que aproxima o imaginário digital da materialidade artesanal, criando uma tensão visual entre o orgânico e o artificial, o delicado e o imponente, o corpo e a estrutura que o envolve.


A vocação performática da marca encontra ressonância no universo da música pop. Artistas como Katy Perry e Demi Lovato já vestiram criações da Artemisi em suas apresentações, evidenciando a afinidade da estilista com figurinos capazes de transformar a presença de uma artista em uma experiência visual. Entretanto, a coleção apresentada na SPFW N61 demonstra que a identidade da marca não se restringe ao palco. Entre os 28 looks, aparecem corpetes de renda bordados, croppeds de correntes com referências fetichistas, minivestidos estruturados em jacquard e saias curtas cobertas por plumas, peças que preservam o caráter exuberante da etiqueta e ampliam as possibilidades de expressão de sua linguagem.



Existe, afinal, um público que procura na moda algo além da discrição e da funcionalidade. Como observa Mayari, sua cliente não necessariamente é uma celebridade ou artista, mas alguém que deseja vestir inovação, personalidade e impacto visual. É nessa compreensão que a Artemisi encontra uma de suas maiores qualidades: a capacidade de oferecer uma identidade reconhecível sem abrir mão da experimentação. Na SPFW N61, a estilista celebra a roupa como expressão artística, reafirmando que o trabalho manual, quando aliado a uma visão criativa consistente, pode transformar cada criação em uma peça de presença extraordinária.



Mais do que vestir o corpo, Mayari Jubini propõe uma experiência estética em que cada bordado, estrutura e aplicação participa da construção de uma narrativa. Em um cenário no qual a velocidade e a reprodução em escala definem boa parte da indústria, a Artemisi reivindica o valor do tempo, da técnica e da singularidade. Sua moda nasce para ocupar espaço, provocar encantamento e permanecer na memória, lembrando que o verdadeiro luxo também está naquilo que as mãos humanas são capazes de criar.





